Você já ouviu essa frase ou já parou para refletir sobre o assunto? De que o padrão de beleza carrega significados que vão muito além da estética?
Ao longo da história, o que consideramos “belo” nunca foi apenas uma questão de gosto ou estética. O padrão de beleza sempre refletiu os valores sociais, morais e econômicos de cada época. O corpo, especialmente o feminino, tem sido usado como símbolo de poder, status e pertencimento, revelando muito mais sobre a sociedade do que apenas beleza.
Nas civilizações antigas e medievais a comida era escassa, e poder se alimentar bem era um privilégio de poucos. Assim, os nobres, em sua maioria, tinham corpos grandes e fartos, indicando que podiam comer bem e viver sem o desgaste do trabalho físico.
Por outro lado, os corpos magros representavam outra realidade, a da escassez, da privação e do trabalho.
Com o passar dos séculos, especialmente depois da Revolução Industrial, quando o novo modelo econômico passou a valorizar produtividade, racionalidade e disciplina, o ideal de corpo também mudou. O tamanho do corpo passou a demonstrar virtude, inteligência, eficiência ou a falta delas. Nesse momento, o que antes representava fartura passou a simbolizar excesso e falta de controle. A magreza deixou de ser um sinal de escassez e passou a indicar autodomínio, como se o controle sobre o corpo fosse prova de mérito e força de vontade. Ou seja, o corpo tornou-se, então, um reflexo da ética do trabalho capitalista.
No século XX, com o crescimento da mídia e da cultura de massa, o corpo ganhou um novo papel: o de mercadoria. As imagens nas revistas, na TV e, mais tarde, nas redes sociais, começaram a dizer como deveríamos ser para sermos aceitos. A beleza se tornou um produto de consumo e, aos poucos, a aparência física começou a determinar o valor social de cada pessoa. Ser magro, jovem e “saudável” passou a indicar sucesso e poder. Porém, manter esse corpo “ideal” exige tempo, dinheiro e acesso, algo que nem todos têm.
Assim, o padrão de beleza continuou refletindo desigualdades: quem pode investir em si é visto com superioridade.
Hoje, vivemos um paradoxo: muito se fala sobre liberdade, diversidade e aceitação, mas estamos imersos em um mundo que compara e julga corpos o tempo todo.
As redes sociais dão lugar de vitrine aos corpos e reforçam padrões quase impossíveis. Os corpos “perfeitos”, representam a prática de dietas, procedimentos, filtros e cirurgias, práticas essas chamadas de “autocuidado”. Aqueles que não conseguem tal façanha estão expostos a sentimentos de culpa, vergonha e fracasso. Assim, a aparência passou a afetar, ainda mais, a autoestima e o bem-estar psicológico.
Viver em uma sociedade que mede valor pela aparência tem efeitos profundos sobre a saúde mental. Muitas pessoas adoecem tentando alcançar o dito “corpo ideal”: intensa ansiedade, culpa, baixa autoestima, distorção da autoimagem, depressão e transtornos alimentares. Uma vivência de muito sofrimento onde o olhar para si está sempre pautado na comparação com o ideal, alimentando uma excessiva autocrítica e levando a exaustão.
Reconhecer que o padrão de beleza tem raízes históricas e econômicas é importante e, entender que o corpo ideal não existe, é libertador.
Cada corpo é resultado de uma história, de uma rotina, de um contexto que precisam ser considerados em direção ao cuidado e acolhimento e não motivo para culpa ou exclusão.
Diante de dados tão alarmantes, nós psicólogos devemos estar preparados para receber em nossos atendimentos clínicos pessoas que já tentaram e/ou pensaram sobre isso.
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Será apresentada uma breve introdução sobre a importância das habilidades sociais para a vida humana e, posteriormente, as informações sobre a pesquisa e seus resultados.
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