Entre tantos, por que você?

Precisamos celebrar o amor! Estávamos em um contexto de recomendações de isolamento social e nos debruçávamos para compreender o impacto disso sobre nossas relações.

* Por Diana Lopes

Entre tantos, por que você?

“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.”

Vinicius de Moraes

Em um outro texto do nosso blog, há um ano atrás, propus um convite: Precisamos celebrar o amor! Estávamos em um contexto de recomendações de isolamento social e nos debruçávamos para compreender o impacto disso sobre nossas relações. Havíamos sido expostos a descobrir novas maneiras de amar e de se sentir amado. Agora a situação pandêmica está diferente, ainda que tenhamos que nos cuidar (recomendo o uso de máscara), estamos nos encontrando mais, nos reunindo para dançar, ir a shows, bater papo nos bares, em festas e até nos abrir para mais encontros afetivos-amorosos. E como nos tornamos uma pessoa especial para a outra? E como a outra pessoa se torna especial para nós?

Na verdade, não há qualquer resposta precisa sobre isto. Mas não é fascinante pensar sobre isto? Fico imaginando, dois estranhos que são de origens interpessoais bem diferentes, de diferentes contextos, de diferentes gerações, que se comunicam de maneira diferente, muitas vezes de diferentes culturas, de personalidades diferentes, que se relacionam de maneira diferentes, com experiência pessoal mais ou menos organizada, se encontram e os olhos brilham, sentem as famosas “borboletas no estômago”… Pronto! Aconteceu! Dois estranhos reconhecem a singularidade do outro.

Estudos sobre o apego em adultos mostram que este encontro e o reconhecimento do outro não ocorrem completamente ao acaso. Existe uma organização ideoafetiva que reconhece algumas características do outro como significativas. Ih, desculpe se acabei com a magia do encontro. Tenho esta tendência (ou mau costume) de buscar explicações em estudos e teorias para os fenômenos que me despertam interesse e curiosidade. Mas nem tudo está perdido, posso garantir que compreender isto não afetará o encantamento de sua experiência ao encontrar sua pessoa especial.

Apaixonar-se envolve diferentes áreas, da atração física até a ternura amorosa que se desenvolve pouco a pouco, e implica que os membros do casal começam a se remodelar para se manterem juntos. Então, os dois estranhos, com histórias bem diferentes, passam a se articular e reinterpretam suas memórias para reconstruir um presente, dão um novo sentido ao passado e se projetam para realizar juntos um futuro. Podemos dizer que este é o processo de recíproca intimidade, esta experiência resulta em coordenação afetiva, emocional, influencia os ritmos biológicos e a alta intensidade desses sentimentos nos deixa no estado de apaixonados. Aos poucos, identidades pessoais distintas passam a se traduzir no relacionamento. Esta “negociação” de identidades pessoais que ocorre no início e no final dos relacionamentos é a grande responsável pela experiência de instabilidade (inseguranças, ansiedades, angústias). Passado este período inicial, essa instabilidade vai se reduzindo e em seu lugar aparece a experiência de exclusividade e integração, que expressa a nossa tradução de identidade na relação. Reordenamos nosso “sentido de si” (ou o “eu”), integrando o outro como unidade. Durante todo o relacionamento nos empenhamos em manter este sentido de pertencimento e exclusividade. Para o sucesso do relacionamento é necessária uma integração mútua entre as identidades.

No entanto, em algum momento isto pode deixar de ser possível para um dos membros do casal…

A possibilidade de separação passa a ser uma solução uma vez que o sentido de si não pode ser experenciado mais com nosso parceiro afetivo.  Tentativas de produzirmos uma mudança como casal podem funcionar, ou podem representar uma medida radical (e insatisfatória), e inviabilizar cada vez mais a tradução de nosso sentido pessoal no relacionamento, ou impedir a tradução do outro. Nessa altura do relacionamento, alternamos entre a experiência de aceitação, como forma de resgatar a relação, às trocas de hostilidades, até admitirmos dificuldades em dar continuidade nas histórias e projetos comuns, e então se instala a dissolução da reciprocidade.

Começa a surgir a necessidade de uma nova história (experiência) para o “eu” e para o outro. Compreender o outro em sua dimensão ontológica nos coloca em confronto com a nossa interioridade. Primeiro tentamos dar sentido buscando explicações no outro, sobre o qual não exercemos qualquer tipo de controle ou acesso. Deparamo-nos com uma impossibilidade de reconhecimento em cada revelação do outro.

Diante da exigência de uma nova articulação sobre o outro, passamos a questionar a nós mesmos, a maneira como nos organizamos, nosso modo de viver e sentir. Uma auto-observação atenta pode nos tornar capazes de acessar aquilo que é possível para entrar em nova fase. Passamos a compreender nosso modo de ver e aceitar que o outro olha e percebe de forma diferente.

Uma via de superação dessas rupturas afetivas é desenvolvermos uma abertura para produzirmos uma versão de nós socialmente, com amigos, família, novos parceiros, novos amigos, etc. É o recomeço, ou pelo menos a possibilidade dele, para a construção de um sentido de autonomia interna. Podemos assumir uma nova perspectiva de nossa identidade pessoal.

Após a experiência de um relacionamento afetivo, ganhamos conhecimento e experiência sobre nós mesmos e a possibilidade de integrar mudanças em nosso sentido pessoal. Aos poucos vamos ganhando uma versão ainda mais encantadora! E isto também nos faz buscar aquela pessoa entre tantas outras, que desperta aquela sensação gostosa de “borboletas no estômago”!

Sugestão de leitura:

Tênis x Frescobol, Rubem Alves

A Pipa e a Flor, Rubem Alves

Músicas:

Travessia, Milton Nascimento

Samba de ir embora só, Teatro Mágico

Bibliografia de referência:

BALBI, J. (2015). “Adolescence, Order through Fluctuations and Psychopathology. A PostRationalist Conception of Mental Disorders and Their Treatment on the Grounds of Chaos Theory”; Chaos and Complexity Letters, Volume 9, Number 2, Nuova Science Publishers, New York.

BALBI, J. (2011). Metarappresentazione affettiva tacita e senso di identità personale. Un approccio alla comprensione delle gravi patologie psichiatriche dell’adolescenza e giovinezza, Rivista di psichiatría. Vol.46, N 5-6.

GUIDANO, V. F. (1992). Il sè in suo divenire: verso una terapia cognitiva post-razionalista. Torino: Bollati Boringhieri.

GUIDANO, V. F. (1988). La complessità del Sè: Un approccio sistemico-processuale alla psicopatologia e alla terapia cognitiva. Torino: Bollati Boringhieri.

Por que as pessoas fumam?

Certamente, as pessoas fumam pelos mais diversos motivos. Deve-se pensar, porém, que a nicotina presente no tabaco, que é a substância capaz de gerar dependência, atua no sistema de recompensa cerebral e seu uso resulta numa sensação de bem-estar.

* Por Dr. Alexandre de Rezende

Por que as pessoas fumam?

Certamente, as pessoas fumam pelos mais diversos motivos. Deve-se pensar, porém, que a nicotina presente no tabaco, que é a substância capaz de gerar dependência, atua no sistema de recompensa cerebral e seu uso resulta numa sensação de bem-estar. Por outro lado, na medida em que a dependência se instala ao longo do tempo, as pessoas passam a buscar o cigarro para evitar o incômodo dos sintomas de abstinência. As principais queixas dessa condição são inquietação, irritabilidade, dificuldade de concentração, insônia, ansiedade, tristeza e aumento do apetite.

As pessoas também podem fumar como uma forma de lidar com as emoções ou sentir-se melhor diante de algum problema. Dessa forma, algumas pessoas podem dizer que fumar dá prazer e é relaxante, outras podem justificar falando que o cigarro lhes anima e, assim, fica mais fácil se relacionar com os outros. Algumas pessoas podem argumentar que usam o tabaco para manter-se alerta ou para se esquecer das obrigações e preocupações.

Independentemente das justificativas apresentadas por cada um, sempre se destaca que parar de fumar é possível! Descobrir e entender as razões para se fumar pode ser útil no processo de tratamento e interrupção do tabagismo.

Quando se pensa na dependência comportamental, o fumante estabelece uma rotina, criando hábitos que se tornam gatilhos para o desejo de fumar. O condicionamento normalmente acontece com a repetição da associação do hábito de usar o cigarro com algum comportamento.

Pode-se citar os principais hábitos associados ao ato de fumar: após o consumo de café ou das refeições; ao ir ao banheiro, ao dirigir ou ao falar ao telefone; antes de dormir ou quando se consome bebidas alcoólicas.

É fundamental a compreensão de que cada tabagista desenvolve uma relação específica com o cigarro, e as funções e os motivos que levam cada um a manter o hábito variam de pessoa para pessoa. Durante o trabalho de aconselhamento para a interrupção do tabagismo, o foco deve ser a identificação das crenças e dos comportamentos associados ao hábito de fumar, para que assim o indivíduo possa desfazer tais associações.

Existem diversas ideias associadas ao tabagismo que podem funcionar como obstáculo para o desejo de enfrentar esse problema. Muitas dessas ideias não são verdadeiras e devem ser desmistificadas. Outras são mesmo reais, mas é aconselhável que algumas estratégias sejam discutidas para que possam ser minimizadas.

“Fumar me ajuda a controlar o peso e, se eu parar, vou ficar gordo”.

De fato, o ganho de peso muitas vezes aparece como uma barreira na cessação do tabagismo, sobretudo em mulheres. A maioria dos pacientes engorda em média até 4kg ao deixar de fumar. No entanto, esse ganho é menos prejudicial à saúde do que continuar a fumar. Não se deve negar essa possibilidade de ganho ponderal, embora nem sempre haja incremento da ingesta calórica. Os fatores que influenciam esse aumento do peso são alterações metabólicas, melhora do paladar e olfato, aumento do apetite e ansiedade, além da necessidade de se premiar por conta da sensação de privação do cigarro. Assim, deve-se ter em mente a necessidade de adoção de um estilo de vida com hábitos mais saudáveis, com a maior ingestão de frutas e verduras, prática de exercício físico e consumo limitado de álcool.

“Fumar me ajuda a lidar com o estresse”.

A maioria dos fumantes relata usar o cigarro para lidar com situações estressantes. Porém, no cigarro não existe nenhuma substância relaxante, a nicotina é um estimulante. Provavelmente, esse relato está relacionado a um condicionamento, ou seja, as pessoas param para fumar em interrupções de situações de estresse. A hora de fumar é uma parada no tempo, propiciando um intervalo à pessoa. Por exemplo, o fato do indivíduo fumar no intervalo de uma reunião estressante. Além disso, quando se fuma, se alivia os sintomas de abstinência.

“A vontade de fumar não vai embora”.

É importante se ter informações acerca dos sintomas de abstinência, o tempo de duração e o quanto o tratamento farmacológico pode minimizar essas queixas. A vontade de fumar, conhecida como fissura, é um sintoma de abstinência, e tende a durar, em média, 2 a 5 minutos. O mais importante é que a ocorrência desses sintomas vai diminuir com o tempo. Quanto mais tempo a pessoa ficar sem fumar, menos intensa e frequente será a vontade.

Existem algumas formas para se lidar com esses momentos de fissura, tais como beber água quando sentir vontade de fumar. Uma outra possibilidade é ter palitos de cenoura à mão, comendo sempre que sentir aquela ânsia de levar um cigarro à boca. Um chiclete também pode substituir o prazer oral do cigarro. Se a pessoa tem vontade de fumar logo após as refeições, pode-se escovar os dentes imediatamente após terminar de comer. O importante é não comprar cigarros e descartar tudo aquilo que possa remeter ao ato de fumar, como cinzeiros.

“Sem cigarro não vou conseguir produzir. Fico burro”.

Sim, é verdade que a nicotina pode melhorar a concentração. Desse modo, a dificuldade de atenção pode ser um dos sintomas presentes no momento inicial da abstinência. Então, deve-se entender que, nesses primeiros dias, a pessoa pode não produzir tanto quanto gostaria, mas essa limitação é temporária. Pode-se fazer um planejamento e adiar na primeira semana tarefas que demandam mais foco. Deixar de fumar é um passo importante para a vida do tabagista e um período pequeno com dificuldade de concentração não será mais prejudicial do que permanecer fumando.

“Não vou conseguir ir ao banheiro sem cigarro”.

Deve-se ter em mente que, ao parar de fumar, é possível ter alguma alteração intestinal, inclusive com ocorrência de constipação. Muito menos por conta de um efeito direto do tabaco, mas muito provavelmente por ter se criado um condicionamento de fumar sempre que se ia anteriormente ao banheiro. Assim, por vezes é difícil perceber que essas ações (fumar e evacuar) acontecem de forma independente. Uma boa estratégia seria tentar se lembrar de como era o funcionamento do intestino antes de começar a fumar. Mais uma vez, se algum prejuízo no hábito intestinal acontecer, isso será passageiro.

“Não vou conseguir me divertir sem cigarro”.

É fundamental refletir como cada um já se sentiu em lugares em que esteve e que não era permitido fumar. Ou pensar como as pessoas em geral conseguem se divertir sem cigarro. Deve-se discutir as possíveis mudanças de comportamento em relação às restrições de fumo em determinados ambientes. No começo, as mudanças podem ser difíceis, mas a adaptação vem com o tempo. Também deve-se prestar atenção na associação do tabaco com o uso de álcool.

Referência:

Presman S, Gigliotti A. Capítulo 11 – Nicotina. In: Diehl A, Cordeiro DC, Laranjeira R, e colaboradores. Dependência Química: prevenção, tratamento e políticas públicas. 2. ed. – Porto Alegre: Artmed, 2019.

 

Trama

Quando alguém adentra no consultório para falar de si, não adentra só…

* Por Vívian Hauck

“Tudo vive em mim. Tudo se entranha

Na minha tumultuada vida. E por isso

Não te enganas, homem, meu irmão,

Quando dizes na noite que só a mim me vejo.

Vendo-me a mim, a ti.”

– Trecho de ‘Poemas aos homens do nosso tempo – VI’ – Hilda Hilst

“Na vida psíquica do ser individual, o Outro é via de regra considerado enquanto modelo, objeto, auxiliador e adversário, e portanto a psicologia individual é também, desde o início, psicologia social, num sentido ampliado, mas inteiramente justificado.”

– Freud em Psicologia das Massas e Análise do Eu (1921)

——————————————-

Quando alguém adentra no consultório para falar de si, não adentra só.

Desde o nascimento, um bebê humano é imerso em uma língua, uma cultura, uma história. A história de sua família, contada na língua materna. A história de seu nome. A história de quem veio antes dele. A história de seu país, de sua cidade. A história fantasiada do que esperam dele, de quem será, de como será. Falam com ele e por ele antes que ele fale por si, e é só assim que pode – ele mesmo – passar a falar. Não há sujeito que se crie sozinho.

Atravessado de saída por essas histórias, este sujeito vai encontrando outros em seu caminho. Com alguns se identifica, outros passam despercebidos. Ama alguns, outros nem tanto. Participa de alguns grupos, luta contra outros. Se posiciona em alguns lugares, em outros se silencia, se apaga. E assim vai construindo a trama de relações que o acompanha e, mais que isso, que o constitui.

É em relação também que sofre. Sofre pelo que falha, sofre pelo amor não correspondido, sofre quando se decepciona com aquele que acreditava ser perfeito, sofre por tentar se distanciar de um ou de outro e não conseguir. Sofre na tentativa de suprir as expectativas de outrem, aquelas que estavam lá desde o berço.  Sofre repetidamente pelas vezes em que se viu ali, naquela mesma situação que sempre o faz sofrer. “Isso sempre acontece comigo”, diz.

Talvez em algum momento afortunado se pergunte afinal “E por que é que isso sempre acontece comigo?”, “E o que eu quero? Eu quero mesmo ser isso que desejaram para mim?”. Adentra ao consultório. Traz consigo sua história e as marcas de todas essas relações. E ali, de forma singular, se encontra com a possibilidade de assumir sua história, suas responsabilidades, seus desejos, sua alteridade, seus limites. O que será que é possível fazer a partir e com tudo isso que te construiu, que te fez chegar até aqui?

Pode parecer um tanto assustador, mas faço a aposta de que vale a pena a viagem.

—————————————–

“Cada indivíduo é um componente de muitos grupos, tem múltiplos laços por identificação, e construiu seu ideal do Eu segundo os mais diversos modelos. Assim, cada indivíduo participa da alma de muitos grupos, daquela de sua raça, classe, comunidade de fé, nacionalidade etc., e pode também erguer-se além disso, atingindo um quê de independência e originalidade.”

– Freud em Psicologia das Massas e Análise do Eu (1921)

Pandemia de medo e covid-19: impacto na Saúde Mental e possíveis estratégias.

Para entender as repercussões psicológicas e psiquiátricas de uma pandemia, as emoções envolvidas, como medo e raiva, devem ser consideradas e observadas.

* Por Fernanda Rezende

“PANDEMIC FEAR” AND COVID-19: MENTAL HEALTH BURDEN AND STRATEGIES.

Para entender as repercussões psicológicas e psiquiátricas de uma pandemia, as emoções envolvidas, como medo e raiva, devem ser consideradas e observadas. O medo é um mecanismo de defesa animal adaptável que é fundamental para a sobrevivência e envolve vários processos biológicos de preparação para uma resposta a eventos potencialmente ameaçadores. No entanto, quando é crônico ou desproporcional, torna-se prejudicial e pode ser um componente essencial no desenvolvimento de vários transtornos psiquiátricos. Em uma pandemia, o medo aumenta os níveis de ansiedade e estresse em indivíduos saudáveis e intensifica os sintomas daqueles com transtornos psiquiátricos pré-existentes.

Durante as epidemias, o número de pessoas cuja saúde mental é afetada tende a ser maior que o número de pessoas afetadas pela infecção. Tragédias anteriores mostram que as implicações para a saúde mental podem durar mais tempo e ter maior prevalência que a própria epidemia e que os impactos psicossociais e econômicos podem ser incalculáveis se considerarmos sua ressonância em diferentes aspectos.

Outro estudo relatou que pacientes infectados com COVID-19 (ou suspeita de infecção) podem sofrer intensas reações emocionais e comportamentais, como medo, tédio, solidão, ansiedade, insônia ou raiva, como já foi relatado em situações semelhantes no passado. Tais condições podem evoluir para transtornos, sejam depressivos, ansiedade (incluindo ataques de pânico e estresse pós-traumático), psicóticos ou paranoides, e podem até levar ao suicídio. Essas manifestações podem ser especialmente prevalentes em pacientes em quarentena, cujo sofrimento psicológico tende a ser maior. Em alguns casos, a incerteza sobre infecção e morte ou sobre infectar familiares e amigos pode potencializar estados mentais disfóricos.
Mesmo entre pacientes com sintomas comuns de gripe, o estresse e o medo devido à semelhança das condições podem gerar sofrimento mental e piorar os sintomas psiquiátricos.

Embora alguns protocolos tenham sido estabelecidos, a maioria dos profissionais de saúde que trabalha em unidades de isolamento e hospitais não é treinada para prestar assistência em saúde mental durante pandemias, nem recebe atendimento especializado.

O fornecimento de primeiros socorros psicológicos é um componente de assistência essencial para populações vítimas de emergências e desastres, mas não existem protocolos ou diretrizes universais eficazes para as práticas de apoio psicossocial.

Especificamente para esse novo cenário da COVID-19, Xiang et al. Sugere que três fatores principais sejam considerados ao desenvolver estratégias de saúde mental:

  • Equipes multidisciplinares de saúde mental (incluindo psiquiatras, enfermeiros psiquiátricos, psicólogos clínicos e outros profissionais de saúde mental);
  • Comunicação clara envolvendo atualizações regulares e precisas sobre o surto de COVID-19;
  • Estabelecimento de serviços seguros de aconselhamento psicológico (por
    exemplo, via dispositivos ou aplicativos eletrônicos).

Por fim, é extremamente necessário implementar políticas públicas de saúde mental em conjunto com estratégias de resposta a epidemias e pandemias antes, durante e após o evento. Recentemente a OMS e o Centro de Controle de Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) publicaram uma série de recomendações psicossociais e de saúde mental. Isso está de acordo com os dados longitudinais da OMS que demonstram que os fatores psicológicos estão diretamente relacionados às principais causas de morbimortalidade no mundo.

Referência Bibliográfica:
ORNEL, F. et al. Pandemia de medo e COVID-19: Impacto na Saúde Mental e
possíveis estratégias. Debates em psiquiatria, Rio de Janeiro. N 02, p. (12-17),
Abril – junho 2020.

Mudança de hábitos: castigo ou oportunidade?

A obesidade é uma doença crônica, multifatorial e muitos são os fatores determinantes.

* Por Laís helena pereira

Mudança de hábitos: castigo ou oportunidade?

Sabemos que a pessoa com obesidade sofre muito preconceito em nossa sociedade, além de enfrentar diversos desafios no cotidiano. Muitas vezes, pode ser julgado e até mesmo proferir auto julgamentos a respeito de sua capacidade de ter hábitos saudáveis, de ter auto controle e comportar-se de maneira diferente.

Entretanto, é importante lembrar que a obesidade é uma doença crônica, multifatorial e muitos são os fatores determinantes como: fatores genéticos e metabólicos, aspectos socioculturais, hábitos, influências históricas e ambientais e fatores psíquicos. Portanto, não é justo e nem saudável considerar que a obesidade seja, única e exclusivamente, uma questão de “falta de vergonha na cara”, “desleixo” ou descuido no autocuidado.

Compreender a doença de tal maneira contribui para a construção de um significado reducionista que coloca a pessoa com obesidade como culpada da situação, afinal fez algo errado e não consegue cuidar de si mesma e assim, o tratamento, torna-se um castigo, uma punição. Com isso, o prejuízo recai sobre a própria pessoa, afinal, as mudanças que precisam ser feitas tornam-se ainda mais difíceis e sofridas, pois carregam o peso de um castigo.

Um tratamento efetivo deve considerar tudo o que pode estar associado a causa da obesidade na vida de cada indivíduo e não apenas responsabilizar algo ou alguém. Compreender a realidade e aceitá-la são passos importantes para o início de uma longa e efetiva caminhada em busca da redução do peso, qualidade de vida e bem estar. A busca pelo tratamento adequado não é sinal de fracasso, mas sim uma oportunidade de viver melhor e adquirir ferramentas para enfrentar a obesidade.

Ressignificar o tratamento, abandonando a ideia de castigo e punição para oportunidade, te ajudará a aderir às mudanças necessárias e realizá-las com mais leveza e satisfação! Afinal, os benefícios serão seus, só você sabe como é viver assim! Se mudanças são necessárias, que bom que elas podem acontecer, faça isso por você!

Aproveite a sua oportunidade!

Por que falar sobre AVC?

Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como Derrame, é o termo que define doenças que cursam com lesão súbita ao Sistema Nervoso Central, de causa vascular.

* Por dra. eliza teixeira da rocha

Outubro é o mês escolhido para a Campanha Mundial de Conscientização do AVC. Porém, esse é um assunto que deve ser conversado diariamente com nossos pacientes, familiares e amigos. O motivo é que o AVC pode acontecer com qualquer pessoa, a qualquer hora e em qualquer lugar. Dados recentes da World Stroke Organization, organização internacional que coordena as ações de educação, prevenção e tratamento do AVC, demonstram que a cada 4 pessoas no mundo todo, uma terá um AVC ao longo de sua vida.

E mais, o AVC é a segunda causas de morte no mundo e a primeira causa de incapacidade. Portanto, é essencial reconhecer o AVC, saber que AVC tem tratamento e tomar medidas para prevenir o AVC. E é sobre isso que vamos conversar um pouco agora.

AVC

Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como Derrame, é o termo que define doenças que cursam com lesão súbita ao Sistema Nervoso Central, de causa vascular. Ou seja, ocorre por um distúrbio do suprimento sanguíneo, seja por redução ou ausência de fluxo sanguíneo. Seu conceito inclui AVC isquêmico que representa o tipo mais comum, e ocorre por obstrução de um vaso que irriga o cérebro e AVC hemorrágico, causado por sangramento dentro ou ao redor do cérebro, o que também determina uma redução do fluxo sanguíneo naquele local.

AVC tem tratamento?

Nos últimos 25 anos o AVC passou de uma doença sem tratamento, em que assistíamos à evolução natural sem poder fazer qualquer intervenção, para uma situação médica com tratamento efetivo, em que se consegue mudar a evolução natural dessa doença catastrófica.

Entre os tratamentos disponíveis está a Trombólise Intravenosa e Trombectomia Mecânica, que tem como objetivo destruir o coágulo que impede o fluxo sanguíneo no cérebro. Esse tratamento é aplicável apenas aos pacientes com AVC do tipo isquêmico. Porém é essencial para isso que o paciente seja levado rapidamente para um hospital! O tempo para se iniciar o tratamento desde o início dos sintomas são 4.5 horas para a Trombólise Intravenosa e um tempo um pouco maior para a Trombectomia Mecânica. Antes de se iniciar esse tratamento, é necessário avaliar vários critérios para definir se o paciente com AVC poderá receber esse tratamento. E para isso o hospital deverá contar com uma equipe especializada no tratamento de AVC. Mas independentemente do tempo dos sintomas, todos pacientes deverão ser levados para o hospital. Existem outros cuidados, tanto para AVC isquêmico como para o AVC hemorrágico que tem como objetivo reduzir o tamanho da área de lesão cerebral e logo reduzir as sequelas que essa doença poderá determinar. Além disso, será durante a internação que se iniciará a reabilitação e os exames para entender qual a causa do AVC.

Reabilitação é essencial. O paciente com algum déficit após um AVC poderá melhorar em semanas a meses. Mas para isso, o trabalho da Fisioterapia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional e Psicologia são fundamentais. E quanto antes iniciado a reabilitação, maiores as chances de recuperação.

É importante entender o AVC como consequência de alguma perturbação no fluxo sanguíneo cerebral. Definir a causa dessa alteração do fluxo sanguíneo através de exames complementares, incluindo estudo cardíaco e vascular, é essencial para ser planejado um tratamento eficaz e seguro, com objetivo de reduzir o risco de um novo episódio de AVC.

Quais os sintomas de AVC?

E já que falamos que AVC é uma condição comum, que tem tratamento eficaz e precisa ser reconhecido rapidamente, quais são os sinais e sintomas que o paciente apresenta quando está apresentando um AVC? São eles: perda de força ou sensibilidade em face, braço, perna – principalmente quando apenas de um lado do corpo; fala confusa ou inapropriada; distúrbio da visão; alteração da maneira de caminhar, desequilíbrio, prejuízo na coordenação motora ou vertigem; dor de cabeça de forte intensidade sendo todos esses sintomas de início agudo, ou seja, que se iniciaram em poucos segundos a minutos. Na presença de qualquer um desses sintomas, o SAMU deverá ser acionado pelo telefone 192. Aja rápido! Tempo é cérebro! Não fique em casa! Procure um hospital!

Como prevenir o AVC?

Porém, ainda mais importante que tratar o AVC, é prevenir que ele aconteça. Um grande estudo que aconteceu em 22 países, acompanhando paciente com e sem AVC, demonstrou que se pudéssemos corrigir os fatores de risco para o AVC, evitaríamos 90% dos casos de AVC. Entre essas intervenções que poderiam reduzir substancialmente os casos de AVC, está o controle adequado da Hipertensão Arterial, cessar tabagismo, promover atividade física e uma dieta saudável.

Também essencial é o acompanhamento médico regular para iniciar as intervenções citadas anteriormente quando necessárias e a realização de exames complementares com objetivo de reverter condições clínicas que aumentam o risco para AVC.

Referências:

Referência:

1 – https://www.world-stroke.org/;

2 – https://www.stroke.org/en/about-the-american-stroke-association/world-stroke-day;

3 – William J. Powers. Guidelines for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: 2019 Update to the 2018 Guidelines for the Early Management of Acute Ischemic Stroke: A Guideline for Healthcare Professionals From the American Heart Association/American Stroke Association 2019.

01 ano de Clínica Rezende

Assista ao vídeo do Dr. Alexandre de Rezende, psiquiatra da Clínica Rezende, falando sobre o primeiro ano de trabalho da Clínica.

Assista ao vídeo do Dr. Alexandre de Rezende, psiquiatra da Clínica Rezende, falando sobre o primeiro ano de trabalho da Clínica: repleto de realizações, conquistas e desafios.

Tratamentos adequados, mais efetivos e para os mais diversos transtornos mentais, atendimento humanizado e equipe multidisciplinar.

Manejo psicológico de pacientes com ideação suicida

Diante de dados tão alarmantes, nós psicólogos devemos estar preparados para receber em nossos atendimentos clínicos pessoas que já tentaram e/ou pensaram sobre isso.

* Por Laís Pereira

Manejo psicológico de pacientes com ideação suicida.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde cerca de 1 milhão de pessoas cometem suicídio anualmente, estima-se que para cada suicídio ocorrido haja cerca de 20 tentativas. O suicídio encontra-se entre as 10 principais causas de morte em todo o mundo e a projeção para 2020 é de 1,5 milhões de mortes por autoextermínio.

Diante de dados tão alarmantes, nós psicólogos devemos estar preparados para receber em nossos atendimentos clínicos pessoas que já tentaram e/ou pensaram sobre isso.

Meu paciente pensa em se matar, o que fazer?

Podemos considerar que existem “estágios” no desenvolvimento da intenção suicida, iniciando-se, geralmente, com a imaginação ou a contemplação dessa ideia. Em seguida, ocorre o desenvolvimento de um plano de como se matar que pode ser implementado por meios de ensaios realísticos ou imaginários e por fim, a ação destrutiva concreta. Contudo, não podemos esquecer que o resultado de um ato suicida depende de uma variedade de fatores e nem sempre envolve um planejamento.

Em geral, paciente com ideação suicida apresentam algumas características, são elas:

Ambivalência: querem a morte e também querem viver. Isso acontece porque ao mesmo tempo em que há sofrimento psíquico há também outros fatores* na vida do indivíduo que o trazem satisfação e motivação para viver.

* Essa é a condição que nos permite trabalhar a prevenção do suicídio.

Impulsividade: como qualquer outro impulso, o impulso de cometer suicídio pode ser transitório e durar alguns minutos ou horas e normalmente são desencadeados por eventos negativos do dia-a-dia.

Rigidez/Constrição: os pensamentos passam a ser dicotômicos, do tipo tudo ou nada, ou seja, a pessoa tem seus pensamentos, sentimentos e comportamentos restritos ao suicídio, tendo boa parte do seu tempo tomado por esse funcionamento e restringindo a solução do que ocorre ao suicídio, não sendo capaz de perceber outras maneiras de solucionar o problema. São pensamentos rígidos e drásticos.

Sentimentos de depressão, desesperança, desamparo e desespero.

A maioria das pessoas com ideias de morte comunica seus pensamentos e intenções, frequentemente dão sinais e fazem comentários sobre querer morrer, sentimento de não valer nada e etc. Esses pedidos de ajuda não podem ser ignorados.

Diante disso, a primeira conduta terapêutica perante uma ideação suicida deve ser avaliar o risco da situação considerando os estágios e características citados acima. Quando o risco é alto, ou seja, o paciente apresenta desespero, tormento psíquico intolerável, não vê saída da situação que se encontra, tentativa de suicídio prévia, abuso/dependência de substâncias, tem um plano definido para se matar e meios para fazê-lo e já tomou providências para o ato como se despedir das pessoas e escrever cartas, é preciso agir de forma IMEDIATA de forma a manter a pessoa segura, muitas veze sendo necessária a internação. A segurança do paciente toma precedência sobre a confidencialidade e portanto, a quebra do sigilo profissional contatando familiares e amigos é necessária e prevista no Código de Ética Profissional do Psicólogo.

Quanto ao paciente é de suma importância acolher, ouvir e mostrar a ele que o setting terapêutico é um ambiente seguro, de confiança e não julgamento. As sessões devem ocorrer com menor espaço entre uma e outra quando o risco de suicídio for alto e também é aconselhável realizar contatos telefônicos entre as sessões. Uma vez em segurança, os objetivos terapêuticos passam a ser o desenvolvimento de um plano de segurança ou plano de crise junto com o paciente. Durante sua execução é dada atenção a identificação de situações (gatilhos) que costumam desencadear ideação suicida e as estratégias que podem ser desenvolvidas (coping) para enfrentá-los. Algumas estratégias estão associadas a maneiras de permanecer longe de objetos que possam ser usados para se autoagredir, atividades que costumam reduzir a ansiedade e desenvolvimento de uma lista de boas razões para continuar vivo. Dessa forma, o objetivo do tratamento e do plano de segurança será reduzir a impulsividade, diminuir a ambivalência valorizando o desejo pela vida e ampliar a percepção sobre os fatos através da flexibilização cognitiva e diminuição dos pensamentos dicotômicos.

A família do paciente

Por vezes, os familiares podem ficar assustados e resistentes às orientações dos profissionais por serem tomados por sentimentos contraditórios como: preocupação, medo, raiva, esperança, banalização, culpa, cansaço, entre outros. Por isso, o profissional deve adotar uma postura de apoio emocional e prático.

Ao mesmo tempo em que amigos e familiares se preocupam, eles podem se sentir muito desconfortáveis diante do comportamento do paciente. É normal a ambivalência também acontecer com eles, é normal não saber ao certo como agir e também dizer ou fazer algo e depois arrepender. É uma situação de crise que exige mudanças na rotina e cuidados intensivos, funções para as quais não estavam preparados e portanto, pode haver insegurança, cansaço e desgaste emocional. Dante disso,é importante que os familiares busquem suporte e procurem profissionais que poderão ajudá-los. Dessa forma, será possível compreender os pensamentos e sentimentos que os deixa apreensivos e confusos e buscar um entendimento mais realista e as melhores soluções possíveis. Além disso, é possível desenvolver melhor comunicação entre os familiares e destes com o paciente.

Toda essa comunicação entre profissionais e familiares e amigos é feita com o intuito de se criar uma rede de proteção, por isso, ela não acontece apenas com pacientes menores de idade. Caso o paciente não concorde com essa proposta, ainda assim o contato deve ser realizado e o risco de suicídio deve ser exposto.

É necessários que as informações sejam objetivas e claras, sem eufemismos sobre o risco de suicídio e é importante ressaltar que nessa comunicação o psicólogo deve ter muito tato no repasse das informações e ao responder possíveis questionamentos dos familiares e amigos pois a intimidade do paciente deve ser preservada. Por fim, é necessário que a família e amigos estabeleçam um ambiente de compreensão e apoio que esteja pronto para a ação caso seja necessário.

Todos os esforços vão em direção da prevenção pois a vida vale muito.

Referências:

Botega, J. N. (2015) Crise Suicida Avaliação e Manejo.

Conselho Federal de Psicologia (2005) Código de Ética Profissional do Psicólogo.

Organização Mundial de Saúde (2004) El suicidio, un problema de salud pública enorme y sin embargo prevenible, según la OMS. Recuperado em: https://www.who.int/mediacentre/news/releases/2004/pr61/es/

Setembro Amarelo e prevenção do suicídio

O suicido é um sério problema de saúde pública, dessa forma a prevenção não é uma tarefa fácil. Uma estratégia nacional de prevenção vem sendo organizada no Brasil desde 2015, nomeada de Setembro Amarelo…

* Por Fabrício de Oliveira

O suicido é um sério problema de saúde pública, dessa forma a prevenção não é uma tarefa fácil. Uma estratégia nacional de prevenção vem sendo organizada no Brasil desde 2015, nomeada de Setembro Amarelo.

  • De acordo com dados do Ministério da Saúde, no mundo, o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens entre 15 a 29 anos. Um indivíduo em sofrimento dá alguns sinais e seus familiares ou pessoas próximas devem estar atentos, pois isso pode ser o primeiro e o mais importante passo. Além disso, é importante sabermos que existe ajuda disponível e extremamente necessária nesse caso.
  • Os sinais dados pelas pessoas que sofrem não devem ser interpretados como ameaças nem como chantagens emocionais, mas sim como avisos de alerta para um risco real. Por isso, é muito importante ser compreensivo, além de estar disposto a conversar e escutar a pessoa sobre o porquê de tal comportamento, criando um ambiente tranquilo, sem julgar a pessoa afetada.
  • Conversar abertamente com a pessoa sobre seus pensamentos suicidas não a influenciará a completá-los. Ao falar sobre esse assunto, você pode descobrir como ajudá-la a suportar sentimentos muitas vezes angustiantes e incentivá-la a procurar apoio profissional.

Alguns sinais importantes que a pessoa com risco suicida apresenta:

  • Preocupação com sua própria morte ou falta de esperança.
  • Expressão de ideias ou de intenções suicidas.
  • Se isolam ainda mais.

Alguns fatores de risco para o suicídio

Transtornos mentais (em participação decrescente nos casos de suicídio):

  • transtornos do humor (ex.: depressão);
  • transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de substâncias psicoativas (ex.: alcoolismo);
  • transtornos de personalidade (principalmente borderline, narcisista e anti-social);
  • esquizofrenia;
  • transtornos de ansiedade;
  • comorbidade potencializa riscos (ex.: alcoolismo + depressão).

Sociodemográficos:

  • sexo masculino;
  • faixas etárias entre 15 e 35 anos e acima de 75 anos;
  • estratos econômicos extremos;
  • residentes em áreas urbanas;
  • desempregados (principalmente perda recente do emprego);
  • aposentados;
  • isolamento social;
  • solteiros ou separados;

Condições clínicas incapacitantes:

  • doenças orgânicas incapacitantes;
  • dor crônica;
  • lesões desfigurantes perenes;
  • epilepsia;
  • trauma medular;
  • neoplasias malignas;

Atenção! Os principais fatores de risco para o suicídio são:

  • história de tentativa de suicídio;
  • transtorno mental (principalmente: transtorno afetivo bipolar, depressão grave, esquizofrenia, transtorno de personalidade e dependência química).

DIANTE DE UMA PESSOA SOB RISCO DE SUICÍDIO, O QUE SE DEVE FAZER:

  • Encontre um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre suicídio com essa pessoa. Deixe-a saber que você está lá para ouvir, ouça-a com a mente aberta e ofereça seu apoio.
  • Incentive a pessoa a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental, de emergência ou apoio em algum serviço público. Ofereça-se para acompanhá-la a um atendimento.
  • Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa.
  • Se a pessoa com quem você está preocupado(a) vive com você, assegure-se de que ele(a) não tenha acesso a meios para provocar a própria morte (por exemplo, pesticidas, armas de fogo ou medicamentos) em casa.
  • Fique em contato para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo.
  • Reconheça o suicídio como uma escolha, mas não a aceite como uma escolha “normal”.

DIANTE DE UMA PESSOA SOB RISCO DE SUICÍDIO, O QUE NÃO SE DEVE FAZER:

Não condenar/ julgar:

  • “Isso é covardia.”
  • “É loucura.”
  • “É fraqueza.”

 Não banalizar:

  • “É por isso que quer morrer? Já passei por coisas bem piores e não me matei.”

Não opinar:

  • “Você quer chamar a atenção.”
  • “Te falta Deus.”
  • “Isso é falta de vergonha na cara.”

Não dar sermão:

  • “Tantas pessoas com problemas mais sérios que o seu, siga em frente.”

Não falar simplesmente frases de incentivo vazias:

  • “Levanta a cabeça, deixa disso.”
  • “Pense positivo.”
  • “A vida é boa.”

Onde buscar ajuda:

  • Serviços de Saúde:

CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde).

  • Emergência Emergência:

SAMU 192, UPA, Pronto Socorro e Hospitais.

  • Centro de Valorização da Vida:

CVV 181 (ligação gratuita) ou www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail para falar com os voluntários que dão suporte emocional e prevenção do suicídio a todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo 24 horas todos os dias.

  • Profissionais de saúde mental de sua confiança.