Depressão

A DEPRESSÃO é um transtorno complexo, uma síndrome composta por diversos sintomas, que causa grande sofrimento e prejuízo na vida do indivíduo e das pessoas com as quais ele convive.

* Por Alexandre de Rezende, Psiquiatra.

DEPRESSÃO

Primeiramente, é importante destacar que há uma grande diferença entre tristeza e depressão. A tristeza é uma emoção normal e fisiológica, e principalmente passageira, esperada diante de um evento adverso da nossa vida, surge como consequência a uma perda, uma decepção ou desapontamento, uma lembrança de algo ruim que aconteceu ou mesmo um pensamento não adequado que ativamos de forma automática. Ela tem por objetivo sinalizar a necessidade de recebermos algum tipo de apoio e ajuda, e apontar o quanto aquela situação é desconfortável para nós.

Por outro lado, a DEPRESSÃO é um transtorno complexo, uma síndrome composta por diversos sintomas, que causa grande sofrimento e prejuízo na vida do indivíduo e das pessoas com as quais ele convive. Ou seja, trata-se de uma condição grave que envolve fatores genéticos, psicológicos e ambientais em sua origem.

A Depressão é uma condição psiquiátrica muito frequente. Estima-se que, no Brasil, em torno de 18,4% das pessoas vão ter Depressão ao longo da vida, com idade média de início em torno de 24 anos.

Características do DSM-5*

O Transtorno Depressivo Maior se caracteriza pela presença de alguns sintomas por um período de pelo menos 2 semanas e representam uma mudança em relação ao funcionamento anterior. Os dois sintomas mais importantes são:

  1. Humor deprimido (sentir-se triste, vazio, sem esperança); OU
  2. Perda de interesse ou prazer. 

Além desses, outros sintomas incluem alterações do peso ou apetite, alterações do sono, agitação ou lentidão psicomotora, fadiga, sentimentos de inutilidade ou culpa, diminuição da capacidade para pensar ou se concentrar, pensamentos de morte e ideação suicida.

É importante destacar que esses sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Ainda há muito estigma sobre um quadro de Depressão, mas esse problema não deve ser entendido como um sinal de fraqueza ou fragilidade na forma de lidar com os problemas da vida, nem mesmo uma condição que se possa facilmente reverter tão somente pela própria força de vontade. A pessoa com Depressão, na maior parte das vezes, precisa de ajuda para conseguir reagir, enfrentar esse transtorno e ter uma melhora significativa.

A importância dos pensamentos numa Depressão

Quando uma pessoa vivencia um quadro depressivo, tem uma maior tendência de avaliar as situações de forma negativista e pessimista, em geral irrealista. Nesse caso, vivencia-se emoções desconfortáveis de modo desnecessário e tende a expressar comportamentos desadaptativos que podem trazer prejuízos.

Os modos distorcidos de pensar costumam envolver um ou mais dos seguintes temas:

  • Interpretações sobre acontecimentos

Quando algo de ruim acontece em um determinado contexto, o indivíduo com Depressão tende a pensar que em situações semelhantes, o desfecho sempre será igualmente ruim. A mesma lógica não se observa diante de um cenário onde algo bom acontece, pelo contrário o indivíduo que sofre de depressão pode ignorar ou minimizar acontecimentos bons.

  • Autoavaliação excessivamente ruim

As pessoas com Depressão costumam atribuir a si mesmas, de forma não adequada, a maior parte da responsabilidade (culpa) pelas coisas ruins que acontecem consigo ou, até mesmo, com as pessoas ao seu redor. Além disso, tendem a repetir internamente para si mesmas seus fracassos, passam a lembrar em exagero seus erros do passado.

Veja a seguir alguns exemplos de distorções de pensamento comumente presentes em pessoas com Depressão (Beck, 1997):

  • Conclusão precipitada

Após uma tentativa frustrada de conquistar uma pessoa: “Não faço sucesso com mulheres, nunca vou conseguir ficar com ninguém”.

  • Menosprezar o positivo

Após ter se dedicado aos estudos e ter conseguido uma excelente nota: “Só tirei essa nota porque a prova estava fácil, o professor facilitou, qualquer pessoa tiraria uma nota boa”.

  • Exagero

Ao enfrentar um desconforto em função de uma adversidade momentânea: “Minha vida é assim, isso vai durar para sempre”.

  • Visão em foco

Após ouvir a cobrança do seu chefe, ignorando as várias vezes em que ele ficou quieto ou mesmo elogiou ao ver algo bom acontecendo: “Meu chefe sempre reclama de tudo”.

  • Aprisionar-se no passado

Ficar repetindo internamente de forma exagerada e inútil pensamentos sobre o passado e deixando de focar em ações práticas que podem favorecer a resolução dos problemas atuais: “Sou todo errado mesmo, deveria ter aproveitado a oportunidade, deveria ter me dedicado mais”.

  • Trazendo para si toda a responsabilidade

Após uma interação social que não aconteceu da forma desejada: “Ela não falou comigo porque não tenho carisma, não tenho atrativos”.

É possível questionar esses pensamentos disfuncionais com o intuito de modificá-los, principalmente quando eles não se sustentam por argumentos lógicos e fatos observáveis. A psicoterapia pode ajudar na identificação dos erros de pensamentos que geram sentimentos desconfortáveis. Desse modo, o resultado poderá ser emoções e comportamentos menos prejudiciais.

Ao conseguir desenvolver pensamentos mais realistas frente às situações vivenciadas, é possível reduzir a intensidade de sentimentos desconfortáveis, ou mesmo ter sentimentos diferentes e, por conseguinte, reações comportamentais menos prejudiciais.

O modo de pensar é muito importante em nossas vidas, inclusive no que se refere às expectativas que temos em relação ao futuro. Expectativas realistas e positivas costumam gerar motivação para a ação, o que pode favorecer a concretização dos planejamentos.

Como o problema pode estar sendo mantido?

Quando estamos vivendo uma situação qualquer, podemos ativar pensamentos, reações fisiológicas, comportamentos/atitudes e emoções. Mesmo sem saber ao certo qual será ativado primeiro, quando qualquer um dos quatro aspectos é ativado, os outros três inevitavelmente também serão.

Diante de um ambiente com fatores estressores, algum evento de vida importante, uma perda, uma condição de saúde, um rompimento familiar, a pessoa tende a desenvolver pensamentos de desamparo, desamor ou menos-valia (“nada dá certo na minha vida”, “ninguém gosta mesmo de mim”, “minha vida sempre será de sofrimento”). Isso vai levar a sentimentos de tristeza, desalento, vazio, irritação e culpa. Então, serão esperadas reações fisiológicas disfuncionais, como alterações de sono e apetite, redução de libido, redução da ativação de neurotransmissores (como serotonina e noradrenalina). Como consequência, a pessoa pode tomar decisões inadequadas, como desistir de um projeto, não se cuidar, evitar o contato com as pessoas.

É essencial aprender a lidar com todas essas variáveis. Deve-se estabelecer intervenções nesses aspectos visando a mudança dos fatores mantenedores da Depressão. Então, se a ativação de uma das quatro variáveis inevitavelmente ativa as outras três, a mudança “positiva” de uma delas também afetará “positivamente” aquelas restantes.

Por exemplo: diante de uma nota ruim na faculdade, uma pessoa pode pensar automaticamente que nunca será capaz de terminar seu curso. Daí passa a ficar triste e se lembrar de todas as vezes que vivenciou um fracasso na sua vida. Terá redução do apetite, o sono ficará prejudicado por ficar remoendo tudo o que já aconteceu de errado com ela, e deixará de sair com os amigos. Uma outra alternativa, agora mais saudável, será pensar que todo mundo pode estar num dia ruim e não tirar uma nota boa. Pode analisar que terá outras oportunidades e que, de uma próxima vez, será possível melhorar seu desempenho, até mesmo porque no passado já teve outras notas boas.

Como uma pessoa posso lidar com a Depressão?

A Depressão é um transtorno no qual há uma baixa de energia e disposição que dificulta a realização das tarefas. Envolver-se nas atividades do dia a dia pode parecer “sem graça” ou “sem propósito”.  Entretanto, é justamente a ação que favorece o aumento da motivação para uma ativação adequada da disposição. É comum o paciente com Depressão trazer o discurso de que precisa ter energia para fazer algo, quando é o contrário, é preciso fazer algo para se ter mais energia. É o que chamamos de ativação comportamental, e falamos um pouco mais sobre isso logo abaixo.

Assim, começar com alguns “pequenos passos” é essencial, utilizando-se a energia e os recursos que estiverem à disposição. Caso você esteja com Depressão, pode não estar com muita energia, mas provavelmente pode ter o suficiente para fazer, por exemplo, uma pequena caminhada no quarteirão de casa ou pegar o telefone para falar com um amigo.

Nesse contexto, o indivíduo deve ter cuidado para não se cobrar demais ou criar muitas expectativas. Deve-se criar metas que serão executadas sem maiores dificuldades. No início, possivelmente a pessoa não fará tudo a que se propõe. Deve-se manter o foco nas suas ações, buscando conduzir uma atividade de cada vez. Um ponto importante é, ao realizar uma tarefa, tentar se recompensar por cada realização bem-sucedida.

O indivíduo com Depressão pode ter o processo de recuperação favorecido pelo suporte social, ou resgaste dos vínculos interpessoais. O terapeuta pode incentivar o paciente a construir relacionamentos íntimos e de confiança. A busca por um tratamento farmacológico pode ser necessária em alguns casos. O tratamento conjunto tende a ser uma boa opção para a superação da Depressão.

Com a psicoterapia, é possível desenvolver estratégias para lidar melhor com os problemas associados à Depressão. Estratégias que auxiliem no questionamento das interpretações distorcidas e favoreçam a mudança dos pensamentos disfuncionais para mais adaptativos serão essenciais para melhorar a autoestima, a autoconfiança e aumentar a ativação comportamental.

Além das estratégias citadas, a pessoa com sintomas depressivos pode obter benefícios com a utilização de algumas práticas. Há inúmeros estudos que apontam que meditação, yoga, atividade física regular, prática da religiosidade e espiritualidade podem reduzir sintomas de depressão.

Ativação comportamental: é uma estratégia própria da terapia cognitivo-comportamental, mas que pode ser perfeitamente utilizada na Psicoeducação.

A ativação comportamental busca incentivar a pessoa deprimida a realizar atividades significativas e prazerosas que provavelmente foram abandonadas nesse período, mesmo sem uma motivação inicial. O paciente sempre vai dizer que está sem ânimo e sem energia, mas o foco deve estar na ação como forma de melhorar o humor, ao invés de esperar a vontade surgir. A lógica é “agir para se sentir melhor” – ou seja, o comportamento vai preceder a mudança de humor.

O objetivo da ativação comportamental é romper o ciclo da evitação e aumentar o contato com reforçadores positivos do ambiente. O primeiro passo é identificar as atividades prazerosas que a pessoa deixou de fazer por desânimo ou tristeza (como ir à academia, ver um filme, sair com amigos, visitar familiares) e tentar a retomada isso, mesmo que inicialmente isso lhe pareça sem graça.

Sugestão de leitura: Vencendo a depressão: manual de terapia cognitivo-comportamental para pacientes e terapeutas. Autores: Daniela Tusi Braga, Analise de Souza Vivian e Ives Cavalcante Passos. Editora Artmed, 2019.

* DSM-5-TR Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais – 5ª edição, Texto Revisado. Publicado em 2023, é um manual elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria para auxiliar no diagnóstico dos transtornos mentais.

Referência bibliográfica:

Este texto foi baseado na seguinte referência:

COSTA, R.T. Capítulo 8 – Depressão. In: CARVALHO, M.R.; MALAGRIS, L.E.N.; RANGÉ, B.P. Psicoeducação em Terapia Cognitivo-Comportamental. – Novo Hamburgo: Sinopsys, 2019.

 

Dificuldades ou transtorno de aprendizagem? Como identificar os sinais e apoiar o seu filho

A identificação precoce das dificuldades ou transtornos de aprendizagem é fundamental para garantir o sucesso acadêmico e emocional das crianças.

* Por Dilaine Alves, Psicopedagoga Clínica e Institucional

A identificação precoce das dificuldades ou transtornos de aprendizagem é fundamental para garantir o sucesso acadêmico e emocional das crianças. Embora ambos os fenômenos possam afetar o desenvolvimento escolar, entender suas diferenças e como tratá-los pode fazer toda a diferença no processo de aprendizagem.

O que são dificuldades de aprendizagem?

As dificuldades de aprendizagem são comumente resultantes de fatores externos, como métodos pedagógicos inadequados, ambientes escolares desfavoráveis ou questões familiares. Estas dificuldades podem ser temporárias e, com a intervenção correta, superadas. Adaptações no ensino, apoio emocional e modificações no ambiente escolar costumam ser eficazes para mitigar esses obstáculos.

Causas e impacto das dificuldades de aprendizagem

De acordo com especialistas como Piaget e Vygotsky, a aprendizagem é uma habilidade natural da criança, que busca entender o mundo ao seu redor. Contudo, quando surgem barreiras no processo cognitivo sejam devido a aspectos emocionais, sociais ou pedagógicos, é essencial que pais e educadores ajam rapidamente para ajustar as estratégias de ensino.

Além disso, problemas físicos ou sensoriais, como dificuldades auditivas ou visuais não identificados, podem afetar a capacidade de aprender de uma criança, dificultando o desenvolvimento da linguagem e da leitura.

Os transtornos de aprendizagem: como identificá-los?

Ao contrário das dificuldades de aprendizagem, os transtornos de aprendizagem possuem uma base neurobiológica e são persistentes. Condições como dislexia, disgrafia e discalculia afetam diretamente as habilidades cognitivas da criança, comprometendo habilidades essenciais como leitura, escrita e matemática, independentemente do esforço ou da qualidade do ensino. Esses transtornos se manifestam de maneira mais clara à medida que as exigências acadêmicas aumentam, tornando-se mais evidentes durante o ensino fundamental.

Principais sinais dos transtornos de aprendizagem

É importante que pais, educadores e profissionais fiquem atentos aos sinais que podem indicar a presença de um transtorno de aprendizagem, como:

  • Dificuldade significativa em ler e compreender textos.
  • Erros frequentes de ortografia e gramática, mesmo com práticas constantes.
  • Escrita desorganizada e ilegível.
  • Dificuldade com conceitos matemáticos, comprometendo até operações simples.
  • Baixa velocidade e precisão na leitura, dificultando a execução de tarefas básicas.

Esses sinais, além de prejudicar o desempenho acadêmico, podem afetar a autoestima da criança, contribuindo para quadros de ansiedade e desmotivação.

Como os pais podem ajudar?

Identificar sinais de dificuldades de aprendizagem precocemente é essencial para que a criança receba o apoio adequado. Aqui estão algumas atitudes que os pais podem adotar:

  1. Observe o desempenho da criança em atividades cotidianas: Caso haja dificuldades frequentes em tarefas que são apropriadas para sua idade, é um sinal para investigar mais a fundo.
  2. Comunique-se com a escola: Os professores e coordenadores pedagógicos são essenciais na observação do progresso escolar e podem auxiliar na identificação precoce de dificuldades.
  3. Busque ajuda especializada: Psicopedagogos, psicólogos e neuropsicólogos são profissionais capacitados para avaliar e diagnosticar dificuldades e transtornos de aprendizagem, indicando as melhores estratégias de intervenção.
  4. Investigue a possibilidade de transtornos específicos: Se as dificuldades persistirem, pode ser necessário realizar testes especializados para identificar transtornos de aprendizagem, como dislexia ou discalculia.

O papel do psicopedagogo no tratamento

O psicopedagogo tem um papel crucial na avaliação e intervenção das dificuldades de aprendizagem. Ele atua como um mediador entre a criança, a família e a escola, realizando diagnósticos e propondo planos de intervenção que atendam às necessidades individuais da criança. Com um acompanhamento adequado, o psicopedagogo utiliza métodos personalizados para promover o desenvolvimento acadêmico e emocional da criança, garantindo que ela tenha o apoio necessário tanto na escola quanto em casa.

Como a nossa clínica pode ajudar?

Na Clínica Rezende, oferecemos acompanhamento especializado para identificar e tratar as dificuldades de aprendizagem de forma eficaz. Com uma abordagem integrada, focada em cada caso, garantimos que seu filho receba o suporte necessário para superar os desafios acadêmicos e se desenvolver de forma saudável e equilibrada.

Se o seu filho apresenta sinais de dificuldades de aprendizagem, não hesite em procurar orientação profissional. Nosso objetivo é trabalhar juntos, família, escola e clínica, para proporcionar à criança as melhores condições de aprendizagem e desenvolvimento.

Entre em contato conosco e agende uma avaliação!

Referências Bibliográficas

 AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Tradução de M. I. C. de Jesus et al. Porto Alegre: Artmed, 2014. (Trabalho original publicado em 2013).

BOSSA, Nádia. O psicopedagogo e o trabalho com as dificuldades de aprendizagem. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007.

CAPOVILLA, F. C.; CAPOVILLA, A. G. S. Dislexia: Aspectos teóricos e terapêuticos. São Paulo: Artmed, 2010.

COLL, C.; PALACIOS, J.; MARCHESI, A. Desenvolvimento Psicológico e Educação: Necessidades Educativas Especiais e Aprendizagem Escolar. Porto Alegre: Artmed, 2004.

FONSECA, V. Dificuldades de Aprendizagem: Abordagem Neuropsicológica e Psicopedagógica. Porto Alegre: Artmed, 1995.

GEARY, D. C. Cognitive predictors of achievement growth in mathematics: A five-year longitudinal study. Developmental Psychology, v. 40, n. 4, p. 973–983, 2004.

GEARY, D. C. Mathematical Disabilities: A Cognitive Neuroscience Perspective. Educational Psychologist, v. 39, n. 1, p. 13-27, 2004.

PIAGET, J. A Epistemologia Genética. São Paulo: Abril Cultural, 1975.

SHAYWITZ, S. E. Overcoming Dyslexia: A New and Complete Science-Based Program for Reading Problems at Any Level. New York: Knopf, 2003.

VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente: O Desenvolvimento dos Processos Psicológicos Superiores. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

Ler e Escrever como um processo natural – será?

Ler e escrever são habilidades que fazem parte de um processo construído com estímulo adequado e direcionamento bem específico, com pré-requisitos a serem alcançados ao longo da caminhada da aprendizagem…

* Por Luciana Bacellar

Ler e Escrever como um processo natural – será?

“Só 15% dos problemas dos alunos correspondem a distúrbios orgânicos” (1).

Ler e escrever são habilidades que fazem parte de um processo construído com estímulo adequado e direcionamento bem específico, com pré-requisitos a serem alcançados ao longo da caminhada da aprendizagem.

A leitura é uma atividade que pode estar agrupada em dois níveis: a decodificação, que permite o reconhecimento das palavras, traduzindo a letra impressa/escrita para a linguagem oral (grafema-fonema); e a compreensão, que possibilita a assimilação de uma palavra, frase ou texto. A escrita corresponde a codificação dos sons da linguagem oral em sinais escritos (correspondência fonema-grafema).

São cinco os pré-requisitos para aquisição da leitura e da escrita:

  1. Um desenvolvimento linguístico adequado – conseguir se expressar e compreender de forma clara, trocar informações;
  2. Consciência fonológica – que é a habilidade de reconhecer e memorizar os sons, sílabas e palavras e usar esse conhecimento na troca de informações;
  3. Capacidade de memória visual e auditiva;
  4. Capacidade de atenção;
  5. Coordenação viso motora.

As dificuldades na leitura e na escrita comprometem todo o processo de aprendizagem, dificultando o sucesso escolar da criança.

  • Orientações para aos pais:
  • estimular a autoestima;
  • criar um ambiente calmo;
  • estimular brincadeiras com música e rima;
  • incentivar a prática de exercícios físicos e atividades culturais;
  • realizar jogos;
  • participar da criação de listas como de compras tarefas;
  • pedir repetição do comando verbal (o que eu lhe mandei fazer?) antes de executar a tarefa.

O papel do fonoaudiólogo não preconiza a identificação de problemas, mas tem como foco a promoção da saúde junto a alunos, pais e toda a comunidade escolar, assim como o desenvolvimento de estratégias educacionais com o objetivo de otimizar o processo de ensino-aprendizagem.

Portanto, ao perceber qualquer dificuldade nas aquisições, seja de leitura ou de escrita, procure apoiar e buscar ajuda. São processos que necessitam de acompanhamento de todos os que convivem com a criança e que desejam seu sucesso.

REFERÊNCIAS:

  1. Jaime Luiz Zorzi, fonoaudiólogo, em entrevista para o site: novaescola.org.br (agosto/2006).

O cuidado multidisciplinar.

O trabalho organizado com equipe multidisciplinar surge como possibilidade de integrar os vários conhecimentos específicos, enriquecendo a compreensão de quem é atendido por esse tipo de abordagem e assim ampliando a eficácia interventiva.

* Por Diana Lopes

O cuidado multidisciplinar tem se tornado cada vez mais importante para melhores resultados dos pacientes. Leia esse texto e entenda um pouco sobre o cuidado multidisciplinar.

A crescente especialização no campo da ciência e tecnologia exigiu que profissionais de todas as áreas aprofundassem em áreas ainda mais particularizadas. Extremamente importante para aprofundar o conhecimento e as intervenções do saber específico de cada profissão, isto gerou respostas eficazes e, podemos dizer, conhecimentos mais
precisos. Como consequência natural desse movimento também gerou fragmentação do saber e em ações isoladas nas mais diversas áreas. Neste ponto é necessário nos apropriar de um dilema sobre essa evolução no campo cientifico e tecnológico: como integrar todos conhecimentos específicos?

Cuidado multidisciplinar e a área de saúde

Tá, e o que área de saúde tem com isto?
Bem, nas áreas de maquinarias e tecnologia vimos uma crescente tendência a prestação de serviço entre as instituições como forma de resolver a fragmentação de conhecimentos. Esta lógica também se aplicou na área de saúde e é uma pratica comum. Temos consulta com cardiologista, com neurologista, com psicólogo, com nutricionista, com fisioterapeuta, etc.

Especialidades

Ok, mas qual o problema de ter varias especialidades?
Quando esta prática é utilizada na área de saúde nos deparamos com um detalhe importante: O SER HUMANO. A complexidade humana exige consideração de um modo mais integral de olhar para a saúde. Estes conhecimentos especializados tão importantes nos faz , por exemplo, tomar medicação do cardiologista, mais medicações do neurologista, mais adoção de novos comportamentos a partir do trabalho com psicologo,
mais dieta prescrita por nutricionista, mais o conjunto de exercícios sugeridos pelo fisioterapeuta, e assim por diante. Será que isto resultaria em uma sobreposição de abordagens? Sobreposições de prescrições medicamentosas? Interferências e incongruências entre as várias condutas clínicas? Resposta, bem provável.

O trabalho da Equipe multidisciplinar

Humm, o que isto tem a ver com equipe multidisciplinar? O trabalho organizado com equipe multidisciplinar surge como possibilidade de integrar os vários conhecimentos específicos, enriquecendo a compreensão de quem é atendido por esse tipo de abordagem e assim ampliando a eficácia interventiva. Uma equipe que trabalha deste modo admite que o ser humano, cujo processo de vida envolve diversas dimensões  complementares, necessita mais que as especializações isoladas. Assume
que a especificidade profissional não consegue dar resposta a uma multiplicidade de fatores intrínsecos associados a situações de doença e de que é preciso somar saberes para dar respostas efetivas e eficazes aos problemas complexos que envolvem a perspetiva de qualidade aos pacientes.

O cuidado multidisciplinar na prática

A equipe multidisciplinar mantém as suas atuações específicas, mas reúnem-se periodicamente para a troca de informações dentro de áreas de interseção, articulando-se, tendo como base a consciência que emerge no “confronto” com as práticas. O trabalho considera o paciente como um todo, numa atitude humanizada e uma abordagem mais ampla e resolutiva do cuidado. Através do estudos dos casos constrói-se caminhos que visam abarcar a eficácia e a qualidade na área da saúde, desta forma,
pode emergir condutas mais apropriadas aos atendimentos e maior organização do trabalho interventivo.

E realmente funciona o cuidado multidisciplinar?

Sim, vários estudos têm demonstrado significativas limitações na abordagem unidirecional e fragmentada de qualquer vertente, ressaltando a importância dos múltiplos fatores envolvidos e de uma visão global e integral, seja na prevenção, no diagnóstico, na intervenção/tratamento, seja na reabilitação dos doentes. Mas um alerta é importante, existem muitas clínicas que oferecem varias especialidades em um mesmo espaço, mas
isto não quer dizer que tenham uma estruturação do serviço de modo multidisciplinar.

Orientamos que busque conhecer bem a proposta e os profissionais da clínica como um todo e o que caracteriza a prática oferecida.

E agora um recado final: destacamos que a importância deste tipo de abordagem tem sido documentada cientificamente, evidenciando melhor serviço aos pacientes, beneficiando estes mais quando os profissionais de saúde trabalham em conjunto. Na Clínica Rezende a incorporação desse novo modelo no atendimento em saúde capacita o profissional a ter
uma percepção mais abrangente, dinâmica, complementar, integrada e humanizada, que retrata uma realidade necessária para se oferecer ações que visam melhorar a qualidade de saúde e de vida das populações em geral.
Essa é uma inovação que propomos e temos profissionais que tem experiencia em envolver múltiplos saberes e ações de saúde que dizem respeito aos conhecimentos e práticas de diversos profissionais: enfermeiros, médicos, psicólogos, nutricionistas, etc.
Estamos atentos as tendências em saúde de acordo com as necessidades e a
complexidade humana.

Clique para ler mais sobre equipe multidisciplinar.

Referências bibliográficas:

ARAÚJO, M.; ROCHA, P. (2007) – Trabalho em equipe: um desafio para a consolidação da estratégia de saúde da família. Revista Ciência e Saúde Colectiva, (12) 2.

COSTA, R. (2007) – Interdisciplinaridade e equipes de saúde: concepções. Barbacena: Revista Mental, (5) 8.

PEDUZZI, M. (2001) – Equipe Multiprofissional de Saúde: Conceito e Tipologia. São Paulo: Revista de Saúde Pública, (35) 1.